quarta-feira, 15 de abril de 2015

O medo da pressa



Certa vez ouvi alguém dizer que anda devagar porque já teve pressa,
e que agora leva consigo um sorriso, afinal, já havia chorado demais.

Pressa.

Seria ela a causa principal das lágrimas expurgadas? Decidi não arriscar,
ganhei aversão a ela, um certo medo, um desprazer.

Se ela é capaz de ocasionar noites em prantos, concluo que seu oposto
gera os mais belos e sinceros sorrisos.

Decidi sorrir.

O medo da pressa me permite ir mais calmamente, no meu ritmo.
Meu passo, meu compasso. Apreciando a beleza que há na própria beleza,
e não só nela, mas também na simplicidade que há no universo ao meu redor.
Tantas cores, tantas formas, tantos sons. Tanta alegria para a alma, tanta paz.
Uma verdadeira quebra nesse caos urbano.

Se minha felicidade está condicionada a isso, declaro: eu tenho medo da pressa.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Uma carta às emoções


Ao medo, minha gratidão. Limites não foram ultrapassados, dores foram evitadas e cuidados foram tomados. É verdade que você pode até ter tirado de mim a chance de vivenciar experiências maravilhosas – algumas das quais eu poderia me arrepender profundamente depois. Mas não posso deixar de reconhecer que você pôs minha cabeça no lugar quando eu estava à beira da loucura. Muito obrigado.

À esperança, minha dívida. Honestamente, não sei se um dia serei capaz de quitá-la. Perdoe-me. Já não consigo mais contar o quanto de mim devo a você. Sonhos, desejos, forças e fôlegos são apenas algumas das muitas coisas que pude extrair de você. É incrível como, até mesmo quando gerada por meio da tristeza, você é a chama que me impulsiona a ir adiante.

À dor, meu reconhecimento. Você não é fácil. Nem um pouco fácil. Mas você me fez real. Sei quem sou porque passei por você, te senti na pele, e mais ainda no coração. Sempre ouvi falar que você deixa marcas, mas após o nosso encontro vejo que “lembranças” seria o termo mais adequado. Sei que ainda vou te encontrar esporadicamente, mas aprendi a te superar. Melhor, entendi como te entender. Por isso, cada encontro contigo é um crescimento.

Ao amor, minha vida. Tudo o que há de bom nela. E o que há de não tão bom assim. Você pode não saber, mas foi por meio de você que conheci o medo, a esperança e a dor. Você me gerou, e agora eu posso te gerar. Tamanha é sua importância que até sua ausência é notável. Não é à toa que te vejo em cada detalhe do dia, em suas diferentes formas de expressão – musicado, fotografado, gesticulado, vivenciado. Respeitoso como ninguém, você não se impõe. Se faz uma escolha, um desafio. Um desafio que eu decidi enfrentar todos os dias e, confesso, estou (te) amando.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Àquela que é digna

Porque ela é digna, ela vive como princesa. Mas não como as soberbas. Ela tem seu castelo, mas sabe que a sabedoria é amiga íntima da humildade. Por isso, todos os dias faz questão de sentar e conversar com os camponeses.

Porque ela é digna, ela não se corrompe. Mulher virtuosa, ela sabe que o valor que lhe foi dado não é medido por parâmetros terrenos. Sua virtude é única e isso ela não troca por nada. É inegociável.

Porque ela é digna, ela é forte. Possui a fragilidade e delicadeza da mulher, mas não abre mão do seu vigor e de sua destreza. Muitos a menosprezam, pois esperam reconhecer sua força apenas em atributos físicos. Mas não sabem que é na mente onde sua força se concentra.

Apesar de ser digna, ela sabe que não merece sua dignidade. Mas por ser alvo de um amor constrangedor e incondicional, todo o seu caráter foi moldado para se tornar digno. E, diferente de umas e semelhante a outras, sua dignidade tornou-se expressa até em seu nome. Digna de ser amada.

Amanda.